6 de 10 estados brasileiros não têm lei municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, segundo MUNIC E ESTADIC

Entenda este e outros resultados das pesquisas do IBGE de 2024 e como estados e municípios estruturam políticas de segurança alimentar

A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC) e a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (ESTADIC) reúnem dados sobre estruturas administrativas, políticas setoriais e funcionamento das instituições públicas em todos os estados e municípios, e seus resultados são, hoje, as principais fontes de informação sobre a gestão pública no Brasil.

Em 2024, ambas incluíram um Suplemento de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)  pela primeira vez, aplicado nas 27 unidades da federação e nos 5.570 municípios brasileiros. A coleta de respostas ocorreu entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, oferecendo um panorama atualizado sobre como o país estrutura a política de SAN em diferentes territórios.

Confira os principais resultados da MUNIC e ESTADIC IBGE e entenda por que esses dados são estratégicos para o enfrentamento da fome no Brasil.

O que são estruturas para políticas de SAN?

A MUNIC e a ESTADIC identificam se estados e municípios possuem secretarias, departamentos ou setores específicos dedicados à segurança alimentar e nutricional. Essas estruturas garantem:

  • estabilidade institucional
  • articulação intersetorial
  • melhor alocação de recursos
  • implementação contínua das políticas públicas
  • manutenção de instrumentos de governança (leis, conselhos, planos)

Principais resultados MUNIC e ESTADIC 2024

  • 15 estados ampliaram suas estruturas para políticas deSAN.
    • Destaques: Amapá (93,8% dos municípios) e Ceará (85,9%) aparecem no topo.
    • Roraima teve o maior avanço: de 40% para 73,3% dos municípios estruturados.
  • 12 estados reduziram essas estruturas.
    • O Acre caiu de 54,5% para 22,7%.
    • Tocantins recuou de 75,5% para 45,3%.

Leis de Segurança Alimentar e Nutricional

Ter uma lei estadual ou municipal de SAN é fundamental para consolidar a política, garantir sua continuidade e assegurar base jurídica às ações públicas.

O que mostram os resultados

  • 6 em cada 10 municípios brasileiros não possuem lei municipal de SAN.
  • Goiás lidera o déficit: 95,5% dos municípios não têm legislação.
  • Entre os estados, Rio Grande do Norte e São Paulo informaram não possuir lei estadual de SAN.
  • No Espírito Santo, a lei estava em trâmite.
  • O Paraná se destaca positivamente: 77% dos municípios têm lei municipal de SAN – o melhor desempenho do país.

Plano de Segurança Alimentar e Nutricional

O Plano de SAN orienta governos com diretrizes, metas e mecanismos de monitoramento. Ele articula setores como saúde, educação, assistência social, agricultura e abastecimento.

Principais dados

  • 17 das 27 unidades da federação possuem Plano Estadual de SAN.
    • Em 2023, eram 21 estados, indicando que houve retração.
  • Apenas 7,1% dos municípios (394) declararam ter Plano Municipal de SAN em 2024.
    • Em 2023, o índice era de 18,8% (1.048 municípios), ou seja, houve uma queda expressiva.

Fundo de Segurança Alimentar e Nutricional

Os fundos são instrumentos essenciais para garantir estabilidade financeira, integrar recursos de diferentes fontes e dar continuidade às ações de SAN.

O que revelam os resultados 

  • Apenas 3 estados possuem Fundo Estadual de SAN: Ceará, Paraíba e Santa Catarina. Em todos, a gestão é feita pelo Conselho de SAN.
  • Nos municípios, apenas 2,8% (155) possuem Fundo Municipal de SAN.

Por que os resultados MUNIC e ESTADIC IBGE são essenciais para o combate à fome

Para superar a fome no Brasil, é indispensável que União, estados e municípios atuem de forma articulada. Mesmo com avanços apontados por pesquisas como a última PNAD Contínua, também do IBGE, ações federais isoladas não resolvem um problema estrutural.

É nesse ponto que os resultados MUNIC e ESTADIC se tornam indispensáveis:

  • Revelam como cada governo está estruturado para enfrentar a insegurança alimentar.
  • Identificam fragilidades institucionais e lacunas de políticas públicas.
  • Permitem monitoramento e avaliação.
  • Oferecem transparência para a sociedade e para organizações que atuam no tema.

No centro de tudo está um princípio básico: sem monitoramento, não há política pública eficiente, e não há combate duradouro à fome.

Quer acessar os perfis completos?

Perfis dos estados e municípios brasileiros – Segurança Alimentar e Nutricional 2024

Acessar o conteúdo