E por que comer bem é tão difícil na prática?
Conheça a pesquisa realizada em 5 capitais do Brasil sobre alimentação saudável, ultraprocessados e as decisões alimentares no dia a dia.
Entre trabalho, deslocamentos, tarefas acumuladas e pouco tempo disponível, comer deixa de ser uma decisão simples e passa a ser uma negociação constante entre tempo disponível, orçamento familiar, atratividade, praticidade e capacidade de o alimento “sustentar” até o fim do dia.
As pessoas até sabem o que é saudável e reconhecem a importância da boa alimentação, mas colocar isso em prática é um grande desafio.
É para compreender como essas escolhas se constroem na vida real que o Pacto Contra a Fome idealizou a pesquisa “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”, realizada pelo Intituto Pensi, com apoio da Food and Land Use Coalition (FOLU) e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal (via Instituto Pensi).
O estudo investiga o que realmente pesa na hora da escolha alimentar, quando saudabilidade, saciedade e sabor disputam espaço em contextos urbanos marcados por restrições de tempo, renda, seletividade ou influência das crianças.
A investigação se baseou em 15 grupos focais com adultos de 18 a 40 anos, organizados por faixas de renda, em cinco capitais brasileiras, para revelar hábitos, percepções e barreiras que orientam as decisões alimentares no cotidiano urbano.
Falta de tempo, dinheiro e energia redefine as escolhas no final do dia. O que cabe na rotina pesa mais do que o ideal que se conhece.
Delivery e lanches substituem refeições, especialmente à noite. Quando o tempo é escasso, a praticidade vence, mesmo com consciência nutricional.
Em contextos de restrição, saciedade e sabor ganham da nutrição. Alimentos saudáveis são vistos como “leves”, “que não sustentam” ou “que dão fome mais cedo”.
Planejar, comprar e preparar recaem majoritariamente sobre as mulheres, somando trabalho invisível e mais uma camada de carga mental no cotidiano.
As preferências das crianças, influenciadas pelo marketing, molda escolhas e exige negociações constantes no dia a dia das famílias.
Os dados mostram que a alimentação saudável depende de fatores estruturais, como condições materiais, ambiente alimentar e políticas públicas.
Sem acesso facilitado a alimentos in natura e minimamente processados, tempo disponível e suporte à rotina das famílias, a escolha saudável se torna exceção, não regra.
A primeira fase do estudo já oferece evidências concretas para a construção de soluções mais realistas e eficazes.
Quais as barreiras e desafios para promover a alimentação saudável, considerando aspectos comportamentais, socioeconômicos, regionais, culturais e ambiente alimentar?
Investigar onde a política falha, quais são os facilitadores e mecanismos replicáveis e para quais barreiras.
Qual é a magnitude real de cada barreira? Sem dados quantitativos representativos, qualquer política opera sobre hipóteses.
Priorizar intervenções custo-efetivas e culturalmente escaláveis para o Brasil.
E chamada para ação.
A pesquisa Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável produz evidências qualificadas sobre como as escolhas alimentares acontecem no cotidiano e quais barreiras limitam o acesso à alimentação saudável.
O Pacto Contra a Fome transforma esse conhecimento em insumos para políticas públicas, ações intersetoriais e soluções estruturais voltadas à segurança alimentar, à saúde e à redução das desigualdades.
Ao apoiar este trabalho, você contribui para fortalecer uma organização comprometida com evidências e com a construção de respostas duradouras para o enfrentamento da fome no Brasil.