Quando o básico desaparece da mesa: a queda do arroz e feijão no Brasil

O arroz e feijão, símbolo da alimentação brasileira, estão desaparecendo das mesas. A queda histórica no consumo revela mudanças nos hábitos, na cultura e na saúde alimentar do país.

Por décadas, o arroz com feijão foi mais do que uma combinação perfeita no prato. Foi um símbolo da alimentação brasileira. Juntos, esses dois alimentos representaram o equilíbrio entre sabor, nutrição e tradição.
Mas, segundo dados recentes, o clássico nacional está perdendo espaço nas mesas do país.

De acordo com a Embrapa Arroz e Feijão (2024), o consumo de arroz e feijão chegou ao menor patamar desde os anos 1960, quando o monitoramento começou. A redução é contínua e vem se intensificando nos últimos anos.

E o mais surpreendente: a queda não tem relação com o preço. Uma pesquisa da Scanntech, divulgada pela CNN Brasil, mostra que, no primeiro semestre de 2025, o consumo de arroz caiu 4,7% e o de feijão 4,2%, mesmo com o arroz 14,2% mais barato e o feijão 17,5% mais barato no período.

Por que estamos comendo menos arroz e feijão

A principal explicação está nas mudanças de hábitos alimentares e no ritmo de vida da população.Nas últimas décadas, a urbanização, a pressa e o aumento do consumo de produtos industrializados transformaram o modo como os brasileiros se alimentam.

Hoje, há menos tempo para cozinhar e mais facilidade em recorrer a alimentos prontos, o que tem reduzido o consumo de preparações tradicionais, como o arroz com feijão.
Essa mudança, embora pareça simples, revela uma alteração profunda na cultura alimentar do país e acende um alerta sobre o futuro da alimentação saudável no Brasil.

Um alerta para a saúde pública

O feijão é reconhecido como um marcador da alimentação saudável, por ser rico em fibras, ferro e proteína vegetal. Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que a queda no consumo de feijão está associada ao aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, hipertensão e diabetes.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também destaca o papel essencial das leguminosas, como o feijão, para a saúde humana e o meio ambiente. Segundo a ONU Brasil, esses alimentos ajudam a combater a fome, a desnutrição e até as mudanças climáticas, além de contribuírem para uma dieta equilibrada e sustentável.

“As leguminosas têm o poder de proteger contra a obesidade e doenças crônicas”, destaca a ONU.

Mais que nutrição: uma questão cultural

O arroz com feijão é uma herança compartilhada por milhões de brasileiros, presente em diferentes regiões, sotaques e mesas. Sua combinação é nutritiva, acessível e sustentável, equilibrando carboidratos, proteínas e micronutrientes essenciais.

Quando esse hábito desaparece, perdemos mais do que um prato. Perdemos parte da nossa identidade alimentar. Preservar o arroz e feijão é valorizar o direito à alimentação adequada e saudável, previsto na Constituição, e reconhecer a importância da cultura alimentar no nosso cotidiano.

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