Conheça as iniciativas vencedoras da 3ª edição do Prêmio Pacto Contra a Fome

Projetos de todo o Brasil mostraram que é possível promover a segurança alimentar e reduzir o desperdício de alimentos 

A 3ª edição do Prêmio Pacto Contra a Fome reconheceu 6 organizações que estão enfrentando a fome e o desperdício de alimentos no Brasil. Iniciativas vindas de diferentes regiões e realidades, as vencedoras são exemplos de criatividade, solidariedade e compromisso com um futuro mais justo e sustentável.

A premiação, promovida pelo Pacto Contra a Fome com cooperação da UNICEF, UNESCO, FAO, UNEP e WFP e patrocinado pelo Grupo SADA, Azzas, Ambev AMA, Cashin, iFood, Stark Bank e XP, recebeu mais de 340 inscrições de todas as regiões do Brasil – 59% das iniciativas inscritas lideradas por mulheres. Os projetos que levaram a recompensa de R$100 mil concorreram em duas categorias: na promoção da Segurança Alimentar e Nutricional em ambientes de vulnerabilidade e na redução do desperdício de alimentos por meio de seu redirecionamento para cumprir sua função social: alimentar quem precisa.


Conheça os projetos vencedores

Categoria Promoção da Segurança Alimentar e Nutricional

Sabores do Quilombo – Associação Mulheres Quilombolas em Ação Dandara dos Palmares (Salvador/BA)

Liderado por mulheres quilombolas, o projeto Sabores do Quilombo transforma a culinária tradicional afro-brasileira em ferramenta de autonomia, renda e pertencimento. Em Morro do Chapéu (BA), produz e distribui 57.600 refeições ao longo do ano, atendendo famílias das comunidades quilombolas de Queimada Nova, Velame, Boa Vista/Poço Comprido – cerca de 400 pessoas cadastradas. 

As refeições são feitas em 2 cozinhas comunitárias e distribuídas três vezes na semana, com cardápio balanceado e acompanhamento nutricional. A iniciativa reduz o desperdício ao planejar cardápios sazonais e ao priorizar a compra de alimentos frescos da agricultura familiar local, fortalecendo a economia solidária e a produção agroecológica.


Agentes Populares da Alimentação – Centro de Estudos Apolônio de Carvalho (São Paulo/SP)

O projeto Agentes Populares da Alimentação forma moradores de comunidades periféricas de todo o país para atuarem como multiplicadores de práticas de alimentação saudável e mobilização comunitária, por meio de um curso teórico e prático. São rodas de conversa, mutirões, marmitaços e mapeamento de demandas da comunidade porta a porta em que os educandos são estimulados a estruturar cozinhas como base de atuação – espaços que alimentam, educam, geram renda e fortalecem a organização popular.

Assim, os agentes populares promovem segurança alimentar e fortalecem redes locais de solidariedade, enfrentando a fome de forma coletiva e organizada: já foram estruturadas cerca de 70 cozinhas populares em todo o Brasil, com mais de 64 mil cestas e 900 toneladas de alimentos distribuídos. Destas, 15 são acompanhadas pela entidade proponente, responsáveis por 217 mil refeições distribuídas ao ano para 18 mil pessoas.


Gastronomia PeriféricaGastronomia Periférica (São Paulo/SP)

Fundado pelo chef Edson Leite e pela psicóloga Adélia Rodrigues, o Gastronomia Periférica é uma escola que une gastronomia, sustentabilidade e impacto social por meio de cursos ministrados no restaurante-escola e eventos comunitários. A iniciativa promove inclusão, geração de renda e aproveitamento total dos alimentos e, em mais de uma década, já impactou milhares de pessoas – principalmente mulheres e pessoas negras – tornando-se referência nacional em gastronomia social e protagonismo periférico.

Duas mil pessoas já se formaram, e a iniciativa estima que cada formado pode gerar 100 kg de alimentos reaproveitados por ano, e 20% dos formados (400 pessoas) trabalham com agroflorestas ou hortas urbanas, que sequestram, cada uma, 1 tonelada de CO2 ao ano.


Categoria Redução e/ou Reversão do Desperdício de Alimentos

Angu das Artes – Instituto Casa Amarela Social (Recife/PE)

Criado por Angélica Nobre, o projeto Angu das Artes atua na comunidade do Alto Santa Isabel oferecendo oficinas de capacitação para mais de 200 mulheres, que ensinam gastronomia e gestão de negócios com foco em técnicas sustentáveis e saberes afrodescendentes e indígenas.

As participantes aprendem habilidades técnicas e administrativas e desenvolvem competências essenciais para atuar profissionalmente no setor de alimentação e empreendedorismo. As oficinas também funcionam como espaço de resgate de saberes ancestrais da culinária afrodescendente e indígena, fortalecendo a identidade cultural e incentivando a valorização da produção alimentar local.


Ajeum – Instituto Cultural Bantu (Salvador/BA)

O projeto Ajeum une solidariedade e sustentabilidade ao transformar alimentos que seriam descartados em segurança alimentar, renda e pertencimento por meio do resgate do que seria descartado e redistribuição para famílias em vulnerabilidade, terreiros, comunidades tradicionais e organizações sociais de toda a Ilha de Itaparica. Só nos últimos meses, foram mais de 10 toneladas de alimentos doados, movimentando cerca de 3.500 Moedas Bantu — uma moeda social criada pela organização que valoriza a troca: quem participa de atividades culturais, educativas e comunitárias acessa alimentos de qualidade.

Parte das doações é transformada em doces, licores e compotas, gerando renda e ampliando o aproveitamento dos alimentos. O que não é consumido vira adubo por meio da compostagem comunitária – mais de 1 tonelada de resíduos orgânicos já foram para as hortas agroecológicas, garantindo verduras e temperos frescos para a comunidade.

O Ajeum também está desenvolvendo um eixo de educação ambiental voltado para o cuidado com a terra e a produção de alimentos, visando integrar hortas de frutas, verduras e legumes como parte central do projeto.


Projeto Alimento de Axé – Instituto Terreiro Sustentável (Rio de Janeiro/RJ)

Inspirado na cosmovisão dos terreiros, o Alimento de Axé integra ancestralidade, cultura e sustentabilidade no enfrentamento à fome e ao desperdício. Com oficinas de aproveitamento integral de alimentos, o Festival e Concurso Alimento de Axé e a Cozinha Solidária Ayó, o projeto reafirma o alimento como elemento sagrado e de resistência, fortalecendo o combate ao racismo alimentar e a valorização das tradições afro-brasileiras.

No último ano, alcançou diretamente cerca de 450 pessoas, entre participantes das oficinas de aproveitamento integral de alimentos, inscritos no Concurso Alimento de Axé, público do Festival e beneficiários da Cozinha Solidária Ayó, que distribuiu aproximadamente 1.500 refeições gratuitas, beneficiando famílias de baixa renda, povos de terreiro, pescadores, marisqueiras e moradores de Sepetiba. Mais de 1.500 pessoas também são beneficiadas indiretamente considerando familiares, comunidades impactadas pelas formações e o alcance das ações em redes sociais e mídias comunitárias.


Inspiração para um futuro mais justo

As seis iniciativas vencedoras da 3ª edição do Prêmio Pacto Contra a Fome demonstram que a transformação começa nas comunidades. São exemplos de como o trabalho coletivo, o protagonismo feminino, a valorização da cultura e o uso consciente dos alimentos podem gerar impacto real na vida das pessoas e na construção da nossa visão para 2030 – um país sem fome e com desperdício zero.

Faça parte dessa corrente de mudança! Confira nossas redes sociais para ver mais sobre as iniciativas, como foi o Prêmio Pacto Contra a Fome 2025 e como apoiar essas instituições.

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