A saída do Brasil do Mapa da Fome, em 2025, representa um avanço importante no enfrentamento da insegurança alimentar. Ainda assim, esse resultado não indica que o problema esteja resolvido. A fome segue como um desafio estrutural, que afeta milhões de brasileiros e exige políticas públicas e ações contínuas.
Segundo a PNAD Contínua, 54,7 milhões de pessoas ainda vivem em situação de insegurança alimentar no Brasil, sendo 6,48 milhões em situação de insegurança alimentar grave em 2024, a forma mais extrema dessa condição. Entre 2023 e 2024, cerca de 2 milhões de lares deixaram a condição de insegurança alimentar grave, indicando avanços recentes. Ainda assim, o problema permanece amplo e desigual.
As disparidades regionais seguem marcantes. Norte e Nordeste continuam concentrando as maiores taxas de fome, mesmo com sinais de redução, o que reforça a necessidade de políticas públicas territorializadas e de longo prazo. A insegurança alimentar também afeta de forma mais intensa lares com crianças, com impactos diretos sobre desenvolvimento, saúde e aprendizagem.
Esse cenário ajuda a explicar outro dado preocupante. O consumo de alimentos ultraprocessados segue crescendo no Brasil, impulsionado pelo preço, pela ampla disponibilidade e pela falta de alternativas acessíveis. Esse padrão alimentar tem impactos diretos na saúde da população e amplia a pressão sobre o Sistema Único de Saúde, aprofundando desigualdades e perpetuando ciclos de insegurança alimentar.
Esses dados mostram que, embora o país tenha avançado, garantir comida adequada, saudável e acessível para todos segue longe de estar resolvido. Eles também deixam claro que enfrentar a fome não é uma tarefa pontual, mas um esforço contínuo. Como aponta o relatório SOFI 2025: por que sair do Mapa da Fome não resolve o problema da fome no Brasil, avanços só se sustentam com políticas estruturantes e continuidade.
A fome não é um problema pontual
A fome é resultado de múltiplos fatores que se acumulam ao longo do tempo, como a desigualdade de renda, o acesso desigual à comida, fragilidades nas políticas públicas, o desperdício de alimentos e um sistema alimentar que, muitas vezes, prioriza o lucro em detrimento do direito humano à alimentação adequada.
Por isso, mesmo em momentos de melhora nos indicadores, milhões de pessoas continuam vulneráveis. Sair do Mapa da Fome não elimina automaticamente a insegurança alimentar, nem garante que as famílias consigam se alimentar de forma saudável e digna.
Combater a fome exige ir além das respostas emergenciais. Exige enfrentar suas causas estruturais, o que só é possível com ações consistentes e sustentadas no longo prazo.
Por que a doação recorrente faz diferença
A doação recorrente permite que o combate à fome seja planejado, contínuo e estratégico. Diferentemente das doações pontuais, que são importantes em momentos específicos, o apoio mensal cria previsibilidade financeira, condição fundamental para gerar impacto estrutural.
No Pacto Contra a Fome, a doação recorrente viabiliza:
- o planejamento, a implementação e o monitoramento de políticas públicas de segurança alimentar, como as iniciativas acompanhadas na Agenda Legislativa Da Política ao Prato;
- o fortalecimento de iniciativas locais que atuam diretamente no combate à fome, reconhecidas anualmente pelo Prêmio Pacto Contra a Fome;
- a produção de dados qualificados, essenciais para compreender as diferentes faces da insegurança alimentar no país;
- a articulação entre governos, empresas e organizações da sociedade civil, ampliando o alcance das soluções.
É essa continuidade que transforma ações isoladas em mudanças duradouras. Ao optar pela doação recorrente, você contribui diretamente para sustentar soluções estruturais no combate à fome.
O que a doação recorrente já tornou possível
Graças ao apoio contínuo de pessoas e organizações, o trabalho do Pacto Contra a Fome já contribuiu para avanços concretos no enfrentamento da fome e do desperdício de alimentos no Brasil, como:
- a sanção de 3 leis nacionais que fortalecem a segurança alimentar;
- R$ 1,8 milhão investidos em iniciativas locais de combate à fome;
- o Hub de Conexões, uma plataforma que conecta quase 2.000 organizações sociais em todo o país;
- o engajamento de 16 CEASAs, responsáveis por cerca de 75% do abastecimento alimentar do Brasil, no enfrentamento ao desperdício de alimentos;
- mais de 10,8 milhões de pessoas impactadas por meio de campanhas de conscientização sobre fome e desperdício de alimentos.
Esses resultados são fruto de uma atuação contínua, baseada em evidências e construída de forma colaborativa. Saiba mais sobre como atuamos e os programas e projetos que sustentam esse impacto.
Doar mensalmente é investir em soluções duradouras
Garantir o direito à alimentação adequada não é um processo imediato. Fortalecer políticas públicas, apoiar quem atua na ponta, produzir dados confiáveis e transformar soluções em políticas estruturantes exige tempo, articulação e consistência.
Séculos de fome não se resolvem em meses nem em poucos anos. Por isso, o enfrentamento desse problema precisa ser sustentado ao longo do tempo. E o apoio também.
Ao optar pela doação recorrente, você contribui para que o combate à fome não dependa de momentos específicos de mobilização, mas avance de forma contínua, responsável e eficaz.
Como se tornar um(a) apoiador(a) recorrente do Pacto Contra a Fome
Tornar-se um(a) doador(a) recorrente é simples, seguro e flexível. A doação mensal pode ser feita com valores acessíveis e é uma forma concreta de participar da construção de um Brasil sem fome, apoiando soluções estruturais e de longo prazo.
Doe mensalmente. Seja parte da mudança estrutural contra a fome.