CEASA Desperdício Zero: um caminho para combater o desperdício de alimentos e a fome no Brasil

Vamos apoiar o redirecionamento de alimentos que não foram vendidos nas CEASAs a pessoas em vulnerabilidade social; saiba como

O Brasil enfrenta uma dura realidade: aproximadamente 55 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano, enquanto 54,7 milhões de pessoas vivem em algum grau de insegurança alimentar. Apesar desse cenário alarmante, apenas o equivalente a 3% dessa população é atendida por bancos de alimentos.

A redução do desperdício é um dos pilares da nossa atuação, e as Centrais de Abastecimentos (CEASAs) – mercados atacadistas de hortifrutigranjeiros do Brasil –  são fundamentais para essa estratégia. Isso porque esses locais desempenham um papel central na distribuição de alimentos no país. 

Além de movimentarem a economia local, as CEASAs têm um grande potencial para fortalecer a segurança alimentar da população – os alimentos que circulam nelas são, na sua maioria, frutas, verduras e legumes in natura, aqueles que mais faltam na mesa dos brasileiros e brasileiras em insegurança alimentar.

O que são Ceasas e bancos de alimentos?

Criadas na década de 1960, as Centrais de Abastecimento, ou CEASAs, surgiram como uma iniciativa do governo federal e de alguns governos estaduais para melhorar o escoamento da produção agrícola e garantir o abastecimento de alimentos nos centros urbanos. Com entrepostos espalhados por todo o país, as CEASAs facilitam a distribuição de produtos frescos para mercados, restaurantes, feiras livres e outros estabelecimentos, garantindo que os consumidores os acessem com preços acessíveis.

Já os os bancos de alimentos são estruturas que captam, recebem e distribuem alimentos de forma gratuita para indivíduos, famílias em situação de vulnerabilidade social e organizações socioassistenciais. Considerados equipamentos de segurança alimentar e nutricional e historicamente apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, assim como os restaurantes populares e as cozinhas comunitárias, os bancos de alimentos combatem o desperdício de alimentos ao longo da cadeia produtiva, sendo instrumentos essenciais para o combate à fome no país. 

O problema do desperdício nas CEASAs

A partir de dados da CONAB e da ABRACEN, estimamos que cerca de 340 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano nas centrais, o equivalente a uma perda econômica anual de R$1,5 bilhão. Para além do prejuízo alimentar e financeiro, a quantidade de CO2 depositado na atmosfera como resultado da decomposição dessa quantidade de resíduo orgânico é de 510 mil toneladas por ano.

Enquanto isso, dos 75 entrepostos e mercados administrados pelas centrais no país, apenas 32 possuem bancos de alimentos, e redistribuem apenas 0,01% do total comercializado. Mas existe um caminho viável para mudar essa situação: conectar esses dois pontos, redirecionando produtos que seriam jogados fora para quem mais precisa. 

Um projeto para transformar as CEASAs do Brasil

Por isso, em 2025, iniciamos um projeto ambicioso: em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), vamos modernizar os bancos de alimentos das centrais de abastecimento brasileiras e fortalecer suas estratégias de redistribuição, tornando as CEASAs de todo o país referências na redução das perdas e desperdício de alimentos, além de combater a fome e melhorar a qualidade da alimentação de quem se encontra em situação de vulnerabilidade social. 

Passo a passo do projeto

A primeira etapa para fazer isso acontecer foi identificar as melhores práticas e experiências realizadas nas CEASAs de norte a sul do Brasil e desenvolver um modelo replicável para implementação nas centrais de todo o país.

A primeira referência prática observada para o projeto foi a experiência bem sucedida da CEASA de Curitiba, que é a única do Brasil com resíduo orgânico zero e referência nacional entre as centrais de abastecimento por suas boas práticas na redução do desperdício de alimentos. Seu modelo de atuação se divide em 4 pilares de reaproveitamento, baseados nas etapas sugeridas pela Escala de Desperdício de Alimentos da U.S. Environmental Protection Agency (EPA): doação, processamento, alimentação de animais e digestão anaeróbia para produção de energia.

Além dela, observamos também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 e 12 da Organização das Nações Unidas, que são norteadores da nossa atuação. O ODS 2 visa acabar com a fome, garantir a segurança alimentar e a nutrição adequada e promover sistemas alimentares sustentáveis com foco em melhorar o sistema de redistribuição de alimentos e combater perdas e desperdícios. Já o ODS 12 é voltado para transformar a maneira como as pessoas e as indústrias produzem e consomem bens e serviços. No Projeto Ceasas, ambas serão tangenciadas sob a visão de redução do desperdício e uso eficiente dos recursos para promoção da segurança alimentar.

Como o projeto será implementado

A implementação das boas práticas do projeto terá início nas CEASAs do Ceará, Minas Gerais e São Paulo, mas o objetivo é que se estenda para todo o Brasil. Atuaremos em duas frentes: 

Centrais Estratégicas:

As Centrais Estratégicas, em São Paulo, (CEAGESP), Minas Gerais (CeasaMinas) e Ceará (Ceasa Maracanaú), são pontos focais pensados para se tornarem referências de Ceasas Desperdício Zero, onde atuaremos de forma mais específica por meio de:

  • Diagnóstico e recomendações específicos
  • Desenho de  plano de ação com cada Central
  • Articulação de parcerias e mobilização política
  • Apoio à implementação e monitoramento de resultados

Nacional 

Todas as CEASAs do Brasil devem implementar práticas de resíduo zero e ampliar seu potencial de redistribuição de alimentos para contribuir com o combate à fome. Para isso, disponibilizamos um material referência de boas práticas e estratégias implementáveis de como cada uma pode se tornar uma CEASA Desperdício Zero.

Onde estamos: status do projeto

Dividimos o projeto em três partes:

  • Engajamento com governos e autoridades;
  • Diagnóstico e planejamento por meio do estudo das melhores práticas, construção de recomendações nacionais e específicas e construção do Plano de Ação;
  • Implementação, ou seja, a mobilização para implementar o Plano de Ação nas centrais.

Após o mapeamento das melhores práticas, desenhamos os planos de ação para a implementação nas centrais estratégicas e criamos o material orientador CEASA Desperdício Zero, que reúne boas práticas de construção, logística, orçamento e operação para apoiar a conexão de bancos de alimentos às centrais de abastecimento de forma a reduzir o desperdício e fortalecer a redistribuição.

A publicação foi lançada oficialmente na cerimônia de entrega da terceira edição do Prêmio Pacto Contra a Fome, e contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira e do diretor-presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), José Lourenço Pechtoll. 

Próximos passos

Além das Centrais Estratégicas, também vamos atuar em parceria com a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional e Abastecimento da cidade de São Paulo (Sesana) para fortalecer a estratégia do novo banco de alimentos da capital paulista conforme as boas práticas mapeadas.

Elas também serão implementadas no Banco de Alimentos da Ceasa do Ceará, em Fortaleza, a partir de um financiamento do Ministério do Desenvolvimento Social adquirido com nosso apoio no edital.

Após a implementação, iniciaremos o monitoramento contínuo dos resultados, garantindo que mais alimentos cheguem à mesa de quem precisa ao invés de acabar no lixo.

“Quando iniciamos o projeto CEASA Desperdício Zero, queríamos ter certeza que teríamos visto todas melhores boas práticas no Brasil para consolidar a melhor referência possível para as demais CEASAs. A replicabilidade é garantida uma vez que os cases de sucesso existem Brasil afora e estão no nosso material. Desenvolvemos tudo para trazer, com precisão, quanto custa e o que é preciso patra transformar as centrais em referência de combate ao desperdício e fomento à segurança alimentar.” – Juliana Arida, coordenadora do projeto CEASA Desperdício Zero

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